sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

WEIRD FANTASY: Ficção Científica inteligente nos quadrinhos dos anos 50!

 


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Eis aqui outra revista que queríamos ter lançado no ano passado, quando ela completou 75 anos de existência, mas felizmente o Dante Viana apareceu pra nos salvar e entregar mais um presente para os fãs da EC: a primeira edição de WEIRD FANTASY, lançada em 07 de março de 1950, com data de capa "maio-junho" (desde sempre as datas nas revistas americanas era pra quando os gibis deveriam ser recolhidos das bancas). 

Weird Fantasy era a "revista-irmã" de Weird Science, lançada um mês antes, em 02 de fevereiro. Porque o editor Bill Gaines preferia lançar revistas bimestrais similares ao invés de só uma mensal, na verdade é bem simples, e tem a ver justamente com a data na capa delas: revistas bimestrais ficavam mais tempo nas bancas. De março até junho, a revista ficaria três meses em esposição, dando mais chance de encontrar seus leitores; revistas mensais em geral ficavam dois meses. Mas pra sempre todo mês estar lançando algo novo, então havia essa dobradinha de revistas-irmãs, como era o caso de Weird Science e Weird Fantasy, que faziam um revesamento. 

Essa revista na verdade começou no número 13, e porque alteramos o número na capa para "1" é o mesmo motivo que o fizemos em "Covil do Pavor" e Weird Science: pra evitar confusões pra quando lançarmos o verdadeiro número 13. A própria EC renumerou a revista, na verdade, quando no número que deveria ser o 18, o batizou de 6 (afinal era a sexta edição do gibi de fato) e seguiu a numeração a partir daí. Como consequência acabaram havendo dois números 13, 14, 15, 16 e 17. Como estamos fazendo uma publicação digital que é uma versão da original, não há porque confundir o leitor seguindo esse problema na numeração original. 

Por que as editoras do período faziam isso, já explicamos algumas vezes, mas pros que chegaram agora, por conta dos registros postais, era comum uma revista mudar de nome (e de conteúdo), mas manter a numeração anterior. No caso, Weird Fantasy herdou a numeração de " A Moon, A Girl... Romance", uma das tentativas da EC de fazer quadrinhos românticos que não sobreviveu a "nova tendência". 

A equipe da Weird Fantasy era praticamente a mesma da Weird Science e envolveram artistas do quilate de Wally Wood, All Williamson, Joe Orlando, Harvey Kurtzman, Reed Crandall , Will Elder , Bernard Krigstein , Jack Kamen , John Severin, e até FRANK FAZETTA. 

Assim como nas outras histórias em quadrinhos da EC editadas por Feldstein, as histórias desta revista eram baseadas principalmente na leitura de um grande número de contos de ficção científica por Gaines, que os utilizava como "trampolins" para desenvolver novas histórias em parceria com Feldstein. Algumas chegavam a ser adaptações de fato, quando não plágios descarados. O caso mais flagrante foi quando, após a publicação da história "Home to Stay", Ray Bradbury contatou a EC Comics a respeito de copiarem um dos seus contos. Eles chegaram a um acordo para que a EC produzisse versões autorizadas pelo autor, a partir dali - sendo Bradbury um grande fã de quadrinhos, ele não tinha preconceito, nem via quadrinhos como uma mídia menor, e poderiam até servir como uma vitrine da sua obra. 

O grande diferencial das histórias de ficção científica da EC, tanto na Weird Fantasy quanto na Science, era justamente escrever histórias de FC de nível praticamente literário, mais parecidas com a ficção científica "hard" das revistas pulp do gênero, e não aventuras de space opera, como era comum nos gibis naquele mesmo período. Talvez por isso essas duas revistas não vendessem bem, e só eram sustentadas pelo amor de Gaines a ficção científica, embora com o passar do tempo, essas histórias tenham se tornado objeto de culto e de grande aclamação crítica, sendo por isso reimpressas até os dias de hoje em volumes luxosos nos Estados Unidos. 

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