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Você já parou para se perguntar o que a Marvel estava publicando naquele distante ano de 1961, antes de lançar o Quarteto Fantástico e construir todo um universo de Super-Heróis? Pois no mesmo mês de agosto em que saiu Fantastic Four nº 1, a editora lançou outras 11 revistas, e uma delas era justamente a segunda edição de Linda Carter, estudante de enfermagem. A série, que teve apenas nove edições, foi apenas mais uma das tentativas da editora de emplacar um novo sucesso dentro do gênero do "humor romântico", já que seu maior sucesso em vendas na época era justamente "Millie, The Model", seguido por "Patsy Walker" (que se tornaria a heroína Hellcat). Linda só não foi parar no limbo dos quadrinhos, porque nos anos 70 Roy Thomas a utilizou como uma das personagens de uma revista de menor duração ainda chamada "Enfermeira Noturna". Aí foram novamente 30 anos de esquecimento, até que Brian Michael Bendis introduziu a personagem definitivamente no Universo Marvel durante sua passagem na revista do Demolidor, agora como proprietária de uma clínica especializada em atender super-heróis de forma anônima, garantindo sua privacidade (e identidades secretas).
Obviamente essas histórias do começo dos anos 60 pode parecer bem bobinhas para alguns, no entanto vale lembrar que o público alvo aqui eram meninas de 9 a 13 anos e por isso Stan Lee, que tinha uma filha nessa idade, procurava abordar assuntos que interessassem a essas leitoras. Pois é, houve um tempo em que muitas garotas liam quadrinhos nos EUA, muito antes dos mangás chegarem lá, ou as editoras criarem super-heroínas. Como já lançado aqui pelo HQ Vintage, em 1948 Jack Kirby (sempre ele) junto com seu sócio Joe Simon, criaram os quadrinhos românticos. A empresa de Martin Goodman, onde Stan Lee trabalhava, não perdeu tempo, e seguiu a nova tendência, lançando dezenas de revistas no gênero que na verdade se dividia basicamente em dois subgêneros: o romance propriamente dito, de tom mais dramático, que era orientado pra leitoras mais velhas, e o "humor romântico", mas cartunesco e ingênuo, seguindo um pouco da linha do grande sucesso da indústria dos quadrinhos durante as décadas de 1940 a 1970, "A Turma do Archie", que era orientado para leitores mais jovens.
A partir dos anos 60 esse tipo de quadrinho foi perdendo força, até sumirem das bancas populares nos anos 70, com uma ou outra exceção. Quadrinhos ficaram taxados como "coisa de menino" por muito tempo, até por conta do ambiente masculino das comic shops, onde a cultura nerd era tido como algo ofensivo em que as meninas não queriam ser associadas de jeito nenhum. Só depois da invasão dos mangás, com muitos títulos sendo do gênero romântico, as editoras perceberam que havia um público feminino que comprava quadrinhos - só que nas livrarias, não nas comic shops. Isso não os impediu de tentar, lançando dezenas de títulos estrelados por super-heroínas nos últimos anos, embora a grande maioria não tenha de fato algum sucesso comercial, embora façam "barulho" nas redes sociais, o que as editoras talvez vejam com um investimento em markeing que justifique esses lançamentos.
Mas agora vamos voltar no tempo, e dar uma olhada numa revista que as meninas realmente compravam, e que por muitos anos, foram o ganha-pão de Stan Lee e companhia.
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