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quinta-feira, 3 de setembro de 2026

A primeira história de Tarzan feita diretamente para "gibis"!

 


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E com vocês mais uma edição da lendária revista "Four Color", apresentando a primeira história realmente feita para uma revista em quadrinhos de Tarzan. Ah sim, Tarzan já tinha aparecido em revistas em quadrinhos dos Estados Unidos antes, mas eram compilações das tiras para jornais, ou seja republicações de algo que não era pensado originalmente para um "gibi". 

A primeira vez que o nome "Tarzan" veio no título (e em todas as páginas) de uma revista foi neste número da Four Color, revista "guarda-chuva" da Dell Comics que a cada edição apresentava uma série diferente. Em geral a Dell trabalhava com personagens licenciados, isto é, eles compravam os direitos para poderem lançar personagens de outras mídias (como livros, desenhos animados, filmes, séries de TV e tiras de jornais) em suas revistas em quadrinhos. Em 1947eles compraram os direitos de Tarzan e aí começa a longa associação do artista Jesse Marsh com Tarzan, que faria as histórias para "comics books" do personagem até o ano de 1965, quando os problemas de saúde o afastaram da prancheta. 

Four Color também era uma "revista teste" e se as vendas com um personagem nela fossem bem sucedidas, era comum ele ganhar de fato uma revista própria. Foi assim com Tarzan, que após duas edições de Four Color (nºs 134 e 161), ganhou no ano seguinte sua longeva revista própria, que durou 258 edições, passando pela Dell, sua sucessora Golden Key, e por fim a DC Comics. No geral, acredito que a Ebal publicou todas as edições de Tarzan da Dell, senão a maioria. No entanto, não consegui localizar em nenhum banco de dados as histórias das duas edições da Four Color. Isso até faz sentido, porque a revista de Tarzan começou com 36 páginas aqui no Brasil, enquanto as edições do Four Color em 1947 tinham 52 páginas. Os editores brasileiros provavelmente não tinham espaço na época para publicar histórias tão "longas", e essas histórias acabaram "perdidas", pra não dizer mesmo INÉDITAS no Brasil.

Então aqui finalmente trazemos o começo de tudo, de como o rei das selvas que já dominava a literatura pulp, o cinema e as tiras de jornais, começou também seu reinado nas revistas em quadrinhos. No Brasil chegou a ser a revista mais vendida por um período da Editora Brasil América Ltda (EBAL), encenando um verdadeiro duelo de popularidade com outro herói da selva, O Fantasma, publicado pela concorrente Rio Gráfica (RGE), que tinha no Espírito que Anda seu principal campeão de vendas em contrapartida. Fique agora com essa aventura completa que lembra muito aqueles antigos filmes de Tarzan da Sessão da Tarde dos bons e velhos tempos. Bom divertimento. 

quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

Four Color 29 - Carl Barks cria seu primeiro clássico com o Pato Donald!


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Então é natal, e o que você fez? Infelizmente a correria está grande por esses tempos, então vários projetos ainda estão inconclusos. Mas pra não deixar vocês por tanto tempo sem postagens, vai mais uma "Four Color", uma das revistas em quadrinhos mais vendidas na Era de Ouro dos Quadrinhos, com lançamento quase semanal, sempre trazendo personagens diferentes, entre eles, justamente os tão populares astros da Disney. 

Depois de Four Color # 9 (já publicada aqui), Carl Barks passou a fazer histórias do Pato Donald em "Walt Disney's Comics and Stories" (uma revista mais complicada de fazer, porque são só 10 páginas de Donald e muitos contos em prosa). Enquanto o material da Disney em Four Color em geral a Editora Abril publicou na íntegra, na Walt Disney's Comics and Stories há muitos "buracos" de coisas que a Abril não ligava em publicar. 

Por isso vamos direto a Four Color nº 29, com a clássica história "O Anel da Múmia" (além de outras duas do Donald), que foi a primeira publicação de Carl Barks no Brasil, quando a Ebal a trouxe no número 04 de "Seleções Coloridas", em 1946. Note que o "seleções coloridas" foi a forma que a Ebal achou pra batizar uma revista que nos eua se chamava "Quatro Cores".

"Four Color" era também uma revista teste, por isso o nome do protagonista dominava a capa. Não por acaso, quando o personagem após vender bem em Four Color sucessivas vezes, ganhava sua própria revista, ela iniciava sua numeração contando os números da Four Color. Por isso a revista do Pato Donald começou no número 26, eles contavam as 25 edições anteriores de Four Color. 

Você provavelmente já conhece as histórias nessa edição. O que talvez não saiba é que originalmente esse conjunto de três histórias integrava uma mesma revista (a Abril com efeito publicou elas separadas até na coleção "O Melhor da Disney", em 2005). O que apresentamos aqui é a forma como foi publicada pela primeira vez nos EUA, em 1943, em 68 páginas, no formato maior que as revistas tinham então. Bom divertimento. 

domingo, 18 de setembro de 2022

A primeira história de Carl Barks no PATO DONALD!

 


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Um dos objetivos do blog HQ Vintage sempre foi trazer momentos importantes - e publicações importantes - das histórias dos quadrinhos. Pois bem, apesar de quadrinhos Disney - na sua versão brasileira - serem bastante compartilhados e não faltar material, algo que vejo pouco são versões em português das revistas originais. Mas na verdade o lançamento de hoje começou quando comecei a olhar para a revista FOUR COLOR, praticamente a revista em quadrinhos mais vendida dos anos 50 (período que agora começamos a abordar com a Cripta do Terror e a EC). 

FOUR COLOR foi a principal publicação da DELL, a maior editora em quadrinhos dos EUA nos anos 50, vendendo milhões de exemplares. O sucesso era tal, que Four Color era uma revista que saiam vários números POR MÊS, não apenas um por semana, as vezes até dois por semana! A publicação foi encerrada em 1962, com nada mais nada menos 1330 edições! A revista não tinha série nem protagonista fixo. Em geral publicava desde a reunião das tiras de jornal como Dick Tracy, Gato Felix, Flash Gordon, Popeye, Terry & Os Piratas, entre vários outros, até material inédito, geralmente baseado em personagens de filmes e séries de TV (especialmente faroeste, muito popular nos anos 50), material baseado em heróis pulp (Cavaleiro Solitário, Zorro e Tarzan) e desenhos animados, como Pernalonga, Pica-Pau, e aí que entra a DISNEY, já que a DELL foi a principal casa editorial dos personagens disney nos anos 40 e 50 (nos EUA).

FOUR COLOR também era uma "revista-teste". Se determinado personagem vendesse bem, logo ganharia sua revista própria - em geral com os números iniciais sendo considerados justamente as edições da Four Colors com AQUELE personagem. Foi o caso do PATO DONALD, que primeiro estreou edições da Four Color, somente ganhando sua revista em 1952, a partir do número 26, ou seja, teve 25 números anteriores saindo em FOUR COLOR. 

Essa não é a primeira edição de Four Color com o Pato Donald (talvez tenhamos que traduzir essa, porque não achamos o equivalente brasileiro. Algum voluntário pra traduzir e/ou diagramar?). O que trazemos aqui é igualmente importante, no entanto: A PRIMEIRA HISTÓRIA EM QUADRINHOS DE CARL BARKS com o personagem que tornou o cartunista uma pedra basilar na história dos comics americanos. Carl Barks era um gênio, conhecido e reconhecidissimo por todos os estudiosos de quadrinhos, inclusive quem não curte muito histórias cômicas ou infantis. Seus enredos e narrativa eram tão boas que cativavam não só as crianças, mas até os adultos. Não é atoa que é republicado até hoje, sendo um dos autores de quadrinhos que conseguiu furar a bolha do anonimato que sempre foi imposta aos autores dos estúdios Disney.

A primeira HQ de Barks com Donald, no entanto, não foi original, nem ele trabalhou sozinho (como seria característica sua nos próximos anos, onde faria tanto os roteiros quanto toda a arte das histórias). Trata-se da "adaptação" de um desenho animado que nunca foi feito, que se chamaria "Donald Ducks finds Pirate's gold". O projeto acabou não sendo executado pelos estúdios Disney, onde Barks trabalhara, e após sair deste e resolver se dedicar aos quadrinhos, o editor Oscar LeBlec já tinha justamente pensando em reaproveitar o roteiro do desenho animado não filmado (escrito por Dick Creedon e Al Perkins) e entregou para Barks e o desenhista Jack Hanna (com quem Barks também já havia trabalhado nos estúdios de animação) para transformá-lo numa história em quadrinhos. O resultado que você vê é este que aí está.

Essa história foi publicada duas vezes no Brasil: a primeira cheia de cortes e adaptada pra caber nas 32 páginas de SELEÇÕES COLORIDAS, nº 9, publicada em 1947 pela editora EBAL. A segunda finalmente trouxe a história completa, e foi publicada em O MELHOR DA DISNEY: AS OBRAS COMPLETAS DE CARL BARKS volume 9, da editora Abril, em 2005. 


A nossa versão usa os scans da Abril, mas eles foram adaptados pra ficar no mesmo formato (que era maior) da revista original FOUR COLOR, como publicada em outubro de 1942, nos EUA. Assim você tem as 68 páginas originais da revista, com a única diferença da americana que agora está traduzida totalmente em português. Bom divertimento.