Complementando nossa "sexta-feira 13" - que começou no dia 12 com o lançamento da segunda edição da Câmara do Horror - com vocês um presente do nosso colaborador, Spitfire: Adventures into Darkness 14, justamente a última edição de uma dos famigerados gibis americanos de terror dos anos 50.
Por que ele resolveu fazer a última edição antes das outras, vocês podem perguntar pra ele no Chat do HQ Vintage, um espaço criado para falarmos sobre quadrinhos. ADVENTURE INTO DARKNESS durou 10 edições (começando no número 5, na costumeira tática da época de uma revista assumir a numeração de outra menos-sucedida para manter os registros postais), e material para um número 15 chegou a ser produzido, mas não foi lançado devido a adoção do comics code no mesmo ano.
Uma revista do grupo Pines Publications, a editora não era nenhuma novata no ramo de quadrinhos. Com efeito, estavam nos negócios desde 1939, e seus selos de quadrinhos assumiram vários nomes, como Better Publications, Neddor Publishing e o mais conhecido, Standard Comics. Essa foi a famosa editora do BLACK TERROR, um super-herói que no Brasil foi chamado de Terror Negro, dando origem a uma revista que no entanto não publicava material deles, e sim de outras editoras como Fawcett, Harvey, Avon, Charlton e etc. Muitos dos esquecidos super-heróis da era de ouro da Pines foram homenageados/recuperados por Alan Moore na revista TOM STRONG e na mini-série TERRA OBSCURA, aliás, e posteriormente também por Alex Ross na mini-série "Superpowers".
Adventure into Darkness foi a primeira incursão da editora no gênero de gibis de terror, lançada em 1951, no rastro do grande sucesso dos quadrinhos da EC. Em 1952, a editora lançou uma segunda do tipo - "Out of the Shadows" - e focou nessas duas. A Pines dava prioridade para quadrinhos mais infantis para crianças, mas sempre seguiu as tendências do mercado, até tudo implodir devido ao macartismo; mesmo com o cancelamento das revistas de terror e crime, a falência da American New Comics (AMC), a maior distribuidora de gibis dos EUA até os anos 50, foi a gota final pra transbordar o balde de uma crise já bastante forte devido as campanhas de religiosos, políticos e professores para boicotar os quadrinhos. Com cada vez mais dificuldade de vender suas revistas, a editora fechou seu segmento de quadrinhos em 1958, resolvendo focar na linha de livros de bolso, que eram mais lucrativos e dava bem menos dor de cabeça.
Essa edição é mais uma capsula do tempo, mostrando como era um típico quadrinho de terror no auge do gênero, em 1954, quando dezenas de gibis de terror lotavam as bancas para um público que parecia não enjoar de histórias do tipo. Sobre a autoria das histórias, não conseguimos localizar muitas informações, exceto que a primeira ("O Jardim do Mal") foi desenhada por um certo Mike Roy (isso porque ele assinou a história) e a última ("A Maldição dos antigos deuses diabólicos") por Rocco Mastroserio; quanto ao resto, apenas suposições e lacunas. Naquele tempo não era comum se dar créditos aos autores - algo que só mostra porque a EC era mesmo notável e a grande diferença dela para as demais na mesma época.

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