domingo, 4 de dezembro de 2022

70 anos da revista MAD - e 10 anos de HQ VINTAGE!



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Hoje, dia 04 de dezembro o blog HQ VINTAGE completa 10 anos... E para comemorar nosso aniversário a altura, escolhemos uma publicação especial: nada mais, nada menos que o número 01 de uma revista que agora em 2022 está completando 70 anos de existência: MAD!

Lançada com data de capa "outubro-novembro de 1952" a MAD começou bem diferente do que você talvez conheça das bancas brasileiras: como um gibi mesmo, em cores, e com histórias em quadrinhos. Essa fase da publicação é praticamente inédita no Brasil. Apenas no seu número 24 MAD viraria a magazine que se estabeleceu como um dos ícones mais tradicionais da cultura pop norte-americana.

No entanto, a "revolução" que a MAD realizou no mercado editorial já começou no seu número 01. Quando William Gaines incumbiu o cartunista Harvey Kurtzman a criar uma revista de humor, não havia absolutamente NADA como a MAD naquele momento. Até então quadrinhos de humor eram no nível "turma da mônica" (representado pela Turma do Archie e seus incontáveis imitadores que publicavam gibis de adolescentes peraltas) e animais falantes (no estilo Disney e Looney Toones). 

MAD era uma revista de humor que alcançava os adolescentes da época, satirizando principalmente a cultura de massas emergentes - não só os quadrinhos, mas também filmes, TV, jornais, revistas, teatro, e etc, etc. 

O mais notável é que nesse número 01 a gente vê que o primeiro alvo das piadas foi a própria EC: as quatro histórias parodiam as histórias de terror, ficção científica, crime e faroeste publicadas não só pela editora, mas também os gêneros dos gibis mais vendidos daquela época. Era como se fosse dado o recado que se eles estavam dispostos a rir de si mesmos, o resto da indústria cultural que se preparasse (e isso já viria no número 02, com uma baita sátira de Tarzan, além da famosa paródia do Superman no número 04). 

Agradecimentos especiais mais uma vez ao Keyne, que me ajudou a encontrar algumas fontes usadas no gibi. Bom divertimento!

quinta-feira, 24 de novembro de 2022

50 anos de Jonah Hex - Edição restaurada com tradução integral!

 


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Restauração de Imagens: Hidok e Eudes

Diagramação (Jonah Hex): Hidok

Tradução, Letras e edição final: Nano


Neste ano de 1972 outro personagem que fez 50 anos, e a comemoração estava "passando batido", foi JONAH HEX, um dos melhores (senão o melhor) quadrinho de faroeste dos Estados Unidos! O anti-herói apareceu pela primeira vez em All-Star Western v2 10, de fevereiro de 1972, causando sensação, pois até então os gibis de faroeste americanos ainda reproduziam mocinhos, galãs, éticos e "limpinhos" como a trinca da Marvel Rawhide Kid, Kid Colt e Defensor Mascarado. 

Enquanto esses últimos eram baseados no faroeste das matinês dos anos 50, Jonah Hex sinalizava a chegada da influência do "faroeste revisionista" (de Sam Peckipah) e do "faroeste spaghetti" (de Sérgio Leone) aos quadrinhos. Quatro anos antes a DC já havia tentando quebrar o paradigma dos heróicos mocinhos do oeste com o lançamento de Bat Lash (este inspirado na série de TV Maverick), um anti-herói mulherengo, mais interessado em ganhar dinheiro do que necessariamente ir atrás de malfeitores. Infelizmente esse cultuado faroeste só durou 7 edições (mas a origem do personagem foi republicada em duas edições de All-Star Western, cuja segunda parte você vê inclusive nesta edição que estamos lançando hoje). 

Com Jonah Hex foi diferente. Em plenos anos 70, quando as revistas de faroeste faziam água (isto é, vendiam cada vez menos), Hex foi a exceção que confirma a regra. Salvou All-Star Western do cancelamento (que a partir do número 12 mudou de nome para Weird Western Tales - enfatizando o caráter bizarro de algumas histórias da revista, que incluíam o fantasmagórico cowboy El Diablo, que também está nessa edição que lançamos) e ganhou revista própria, que inclusive foi o último gibi de faroeste nos EUA que ainda era publicado na data do seu cancelamento em agosto de 1985. 

O segredo do sucesso é um personagem que antecipou o Justiceiro e Wolverine, sem piedade no trato com os inimigos, e que na verdade matava para viver como caçador de recompensas. Sua personalidade introvertida, arredia, irritada, escondia uma grande tragédia pessoal, literalmente marcada no seu rosto (uma horrível cicatriz) e a roupa que usava (o uniforme cinza dos confederados), como uma cruz a carregar por seus pecados. Mesmo os leitores que não gostavam de histórias de faroeste logo se viram cativados por este anti-herói tão diferente da maioria dos personagens unidimensionais de gibis. Não é a toa que volta e meia Jonah Hex consegue um revival, como na década passada, onde emplacou um segundo volume com mais 70 edições, além de uma nova encarnação da All-Star Western nos "novos 52". 

Para comemorar esse aniversário a altura, reapresentamos sua revista de estréia, agora na sua versão "millennium edition", as republicações que a DC lançou na virada do milênio para celebrar suas revistas mais importantes (e esta é uma delas!). Além do texto de apoio do historiador de quadrinhos Robert Greenberg, a arte está plenamente restaurada, e a tradução na integra, com novo letramento. Queria agradecer principalmente ao Hidok, e ao Eudes Honorato (do Rapadura Açucarada), que colaboraram muito pra esse scan chegar até vocês com essa qualidade. 

sexta-feira, 18 de novembro de 2022

TORSO: A história de Elliot Ness contra o primeiro serial killer dos Estados Unidos!

 


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Tradução e Letras: Scott Free


Hoje vamos trazer um lançamento que é inédito no Brasil, mas não é uma hq nova. Na verdade ela foi pela primeira vez totalmente publicada há 23 anos nos EUA. Por que nenhum editora ainda não a lançou por aqui, para mim consiste um mistério.

Um mistério porque seu autor é o badalado BRIAN MICHAEL BENDIS. Veja bem, eu tenho várias ressalvas e críticas a muitas hqs escritas por Bendis (principalmente as mais recentes), mas no seu início de carreira, o escritor era promissor (e não a toa que ganhou dois prêmios Eisner de melhor escritor de 2002 e 2003). Mas o primeiro Eisner que ganhou foi com essa mini-séria (aqui reunida em edição encadernada), em 1999, na categoria "Comic Book Excellence, Talent Deserving of Wider Recognition". 

Quando Brian Bendis e o escritor Marc Andreyko lançaram Torso, em 1998, pela IMAGE, eram praticamente dois desconhecidos. A HQ também é ilustrada por Bendis, que no início buscava ser um cartunista (ou seja, um desenhista que escreve suas histórias). Como a aclamação crítica de Torso (e de sua série de super-heróis, Powers, também na Image) foi que Bendis conseguiu abrir as portas na Marvel Comics, por exemplo. 

Mas do que se trata TORSO? Por que posso garantir para aqueles que (como eu) torcem o nariz para o escritor que esse é um Brian Michael Bendis DIFERENTE?

Torso é baseado numa história REAL de investigação abordando nada menos nada mais do que o caso do PRIMEIRO SERIAL KILLER da história dos Estados Unidos. E quem conduziu as investigações foi ninguém menos do que ELLIOT NESS, isso mesmo, o cara dos INTOCÁVEIS. Estamos falando sério. Isso aconteceu de verdade. Por que diabos não virou um filme ainda, bom, na verdade, justamente por conta desse quadrinho, alguns cineastas (como David Fincher e Paul Greengrass) já se interessaram, mas por enquanto a coisa não saiu do papel. Talvez um dia saia. Mas se você quer conhecer essa história (ou pelo menos uma ficção baseada nela), aqui está.

Por alguns anos, eu sempre falo que se conseguisse abrir uma editora de quadrinhos TORSO seria uma das minhas primeiras opções de publicação. É em preto e branco, relativamente fina (200 paginas), pode ser publicada em formato menor (como os albuns da Devir), é de um escritor conhecido, e aborda um tema que vende bem no Brasil (serial killers reais). Várias vezes pensei em brincar com essa edição, mas nunca achei tempo. Felizmente o SCOTT FREE, que conheci no excelente grupo de amigos do RAPADURA AÇUCARADA no Telegram também gostou da idéia, e aqui está: ele traduziu e diagramou inteiramente essa graphic novel pra gente. 

Então não espere pela Devir, pela Comix Zone, o Pipoca & Nanquim, ou algum catarse pra poder finalmente ler essa badalada obra em português. Ela está no meio de nós! Baixe agora mesmo e conheça essa sinistra história envolvendo um dos psicopatas mais misteriosos da história dos Estados Unidos a um dos seus heróis da vida real mais reconhecidos. Boa leitura!

quinta-feira, 3 de novembro de 2022

60 anos do Incrível Hulk - Edição Fac-Símile!

 


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Edição: Hidok

A primeira publicação do HQ Vintage, em 02 de dezembro de 2012 (quase 10 anos atrás) foi o relançamento de o Incrível Hulk nº 1, comemorando os 50 anos do gigante verde (que na verdade começou cinza!), usando scans da Biblioteca Histórica Marvel, publicação da editora Panini. 

Pois bem, neste ano o Hulk está completando 60 anos de vida, e a Marvel Comics relançou uma versão fac-símile do gibi original, ou seja, uma republicação EXATA da revista, com suas cores originais (coisa que nunca tinha saído até então). 

É essa versão, produzida por nosso parceiro HIDOK que trazemos aqui. Com todas as suas gloriosas 36 páginas (inclusive os anúncios) e melhor resolução, resgatando mais esse ITEM DE COLECIONADOR que os mais perfeccionistas com certeza vão querer ter na sua "biblioteca de scans".

Se tem algo que sempre buscamos foi oferecer a melhor versão de cada gibi, a despeito da própria versão que já tivessemos feito antes. E é nesse espírito que também começamos a comemorar os 10 anos do HQ Vintage, iniciando com essa publicação uma série de EDIÇÕES HISTÓRICAS que virão nos próximos dias, que com certeza você não vai querer perder! Bom divertimento. 

segunda-feira, 31 de outubro de 2022

Publicação especial de Halloween - Contos da Cripta #20!

 


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E chegamos a quarta edição de Contos da Cripta, a primeira a realmene receber o nome Contos da Cripta (antes nosso gibi se chamava "Cripta do Terror"). Por que dessa mudança, o Zelador explica em sua sessão de cartas... 

Nesse número temos a estréia de mais um artista: JACK KAMEN! Considero Kamen como o desenhista da EC que melhor retratava os anos de 1950... Para mim, o estilo dele é indissociável ao "visual" daquela época. As demais histórias são ilustradas por Johnny Craig, Graham Ingels e Al Feldstein.

Uma das dificuldades de lançar um gibi na sequência de publicação como a Cripta é que por se tratar de uma revista que foi melhorando a cada edição, e começou de forma bem modesta, podemos perder leitores ao longo da jornada. ACREDITE: Se você achou a revista "chatinha", ou "nada demais", os primeiros números NÃO FAZEM JUS à lenda que se tornaram os Contos da Cripta. Considero que a publicação alcança sua melhor fase mesmo a partir da oitava edição (que será o número 24), quando JACK DAVIS assume os desenhos das histórias apresentadas pelo Zelador. Aí é que, como diria a moçada: "o bicho pega" e "a coisa fica séria". 

Mas a cada número é muito interessante ver essa subida ao topo das revistas de terror dos anos 50. Nessa edição, Al Feldstein parece estar afiando suas habilidades como roterista (e como sabemos o editor-chefe Bill Gaines dava muitas das idéias que Feldstein usava), e as histórias agora admitem a existência do sobrenatural... Também já temos o descarte da "lição de moral" em pelo menos um dos contos, onde as vítimas nada fizeram por merecer a tragédia que lhes sucede no final. Um nível de maturidade incomum para a época (e que ia render também os seus problemas com pais, educadores e políticos conservadores). 

Se uma coisa podemos prometer é que cada número de Contos da Cripta sempre será melhor que o anterior, e será muito interessante para quem se dispor a acompanhar essa jornada. Feliz Dia das Bruxas!

quarta-feira, 19 de outubro de 2022

Raio Negro 06 - Chocantes Revelações!

 


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Continuando nossa REMASTERIZAÇÃO da primeira série do RAIO NEGRO, temos nossa melhor edição até agora, com uma história onde Raio Negro não só enfrenta um perigoso adversário que o está caçando pelo prêmio posto sobre sua cabeça pelos 100, quanto importantes revelações envolvendo a morte do pai do nosso herói. Bom divertimento. 

quarta-feira, 12 de outubro de 2022

X-Men Anual 07 - Finalmente remasterizada com tradução integral!

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Digitalização: Eudes (Rapadura Açucarada)

Edição de Imagens: Nano Falcão


Como prometido, estamos trazendo o anual nº 7 dos Fabulosos X-Men! Essa história até hoje só tinha scans na versão da Abril, que editou pesadamente a história (por exemplo, no original os X-Men visitam a redação da Marvel, a abril colocou a redação marvel/abril e os funcionários deles no lugar dos da Marvel).

A história trata justamente do Homem-Impossível numa louca gincana visitando dos os cantos do Universo Marvel. E entre os objetos que devem ser coletados, não é que está justamente a Mansão Xavier? É isso que coloca nossos mutantes preferidos no encalço do endiabrado transmorfo.

Essa história se passa entre as edições 175 e 176 dos Fabulosos X-Men, portanto era uma lacuna realmente na nossa lista de leitura (E em breve traremos aqui o Anual 08, preenchendo mais essa lacuna!).

Nosso muito obrigado para o EUDES HONORATO que escaneou a "Saga dos X-Men", publicação da Panini onde finalmente foi reimpressa essa história nesse ano. A partir destas imagens, editamos a edição pra ficar mais próxima da revista original. Bom divertimento.

segunda-feira, 10 de outubro de 2022

O primeiro número 100 da Mulher-Maravilha!

 


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Cumprindo uma promessa que eu tinha feito aos amigos do Baú da DC, hoje estamos trazendo uma revista da ERA DE PRATA da Mulher-Maravilha. Se trata de mais uma edição INÉDITA no Brasil, pela primeira vez traduzida para o português.

Contextualizando esse gibi, devemos lembrar que estávamos no auge do Código de Ética dos quadrinhos e que o gibi da Mulher-Maravilha, por ter sido muito perseguido na cruzada contra os quadrinhos foi bastante "higienizado", se tornando o mais inocente (e infantil) possível. 

Por isso mesmo não posso deixar de me divertir com a inventividade com que o editor e roteirista Robert Kanigher consegue trabalhar com tantas amarras lhe cercando. Para comemorar o centésimo número da revista, Kanigher nos apresenta histórias que destacam as habilidades, façanhas e poderes da maior super-heroína dos quadrinhos.

Na primeira história, Diana precisa competir "consigo mesma", no caso uma cópia sua de outra dimensão, para provar que é a melhor Mulher-Maravilha; e na história seguinte, vemos um exercício de metalinguagem com a heroína tentando registrar uma façanha para a "centésima edição" das suas aventuras, que são registradas pelas amazonas e guardadas numa cápsula do tempo. Façanha após façanha não consegue ser registrada, até termos a impressionante (e cientificamente impossível) demonstração de força no que possivelmente deve ter sido a maior façanha da princesa guerreira em toda a Era de Prata. 

Então abra sua mente, volte a pensar como uma criança - e mais uma criança nos anos 50, sem o cinismo que a televisão, e o bombardeamento de notícias do mundo cão cada vez mais vem promovendo a cada geração - e abra essa verdadeira CÁPSULA DO TEMPO, que de fato é esse gibi. Bom divertimento. 

segunda-feira, 3 de outubro de 2022

The Spirit - Os Bonecos da Morte!

 


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Mais uma das primeiras aventuras do Spirit, direto dos anos 40 pra vocês, fiéis leitores! Nesse número nosso herói fora da lei encara mais um cientista maluco que criou não só um robô gigante, como bonecos-bombas mortais para acompanhá-lo. Bom divertimento. 

terça-feira, 27 de setembro de 2022

A última edição da Cripta do Terror?

 


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E chegamos a última edição da Cripta do Terror! Calma minha gente, o susto só foi pra entrar no clima do gibi! Na verdade, no número 20 (que na verdade é a quarta edição da Cripta), a revista mudou de nome para "Contos da Cripta", e doravante sustentou esse nome até o final. 


Aliás, quero aproveitar novamente para esclarecer uma confusão que alguns leitores estão fazendo: A Cripta do Terror/Contos da Cripta NADA TEM A VER com a KRIPTA da RGE, nem com a "Cripta" da Mythos, publicada mais recentemente. The Crypt of Terror/Tales from the Crypt foi lançado nos anos 50 pela EC Publishing, e cancelada em 1955 devido a perseguição contra os quadrinhos de crime e terror. Esse material saiu no Brasil já nos anos 50 em várias publicações diversas, principalmente da editora La Selva, e somente foi republicado nos anos 90 em 7 edições da Editora Record com o nome "Cripta do Terror", mas acabou cancelada por baixas vendas. Não se sabe se todo material da EC de Terror foi realmente publicado no Brasil, há poucos registros do que foi publicado, e muitas lacunas. 


Quanto a Kripta da RGE... Se trata de material das revistas americanas EERIE e CREEPIE (que a gente já publicava aqui no HQ VINTAGE), publicadas nos EUA pela Warren Publishing. Existem duas versões de porque os editores da RGE escolheram esse nome (Kripta). Uns dizem que foi por aproximação fonética com Creepy (pronuncia-se "cripi"), outros que foi realmente roubado da Cripta do Terrror da EC. Essa tradição de tentar se associar ao legado da EC, embora publicando material DIFERENTE é velha. Mais recentemente a editora Mythos lançou encadernados da EERIE chamando a publicação de CRIPTA (com C mesmo). Vale lembrar que com a série de TV "Contos da Cripta" (baseada em material da EC), tentar pegar carona no nome pareceu pra eles uma jogada de oportunidade. 


Então, caro leitor, a não ser que você esteja se referindo aos sete números da Cripta do Terror da Record, não, você não tem a coleção da Cripta do Terror. A não ser que esteja se referindo a coleção da KRIPTA, mas essa é OUTRA revista. Ademais, a Record infelizmente nesses 7 números não publicaram nem 5% do material de terror da EC, então o que a gente tá publicando aqui é mesmo INÉDITO pra grande maioria (no Guia dos Quadrinhos inclusive só há registro de uma única história - "Loucura em Manderville", da edição 18 - ter sido publicada no Brasil destas três edições da Cripta do Terror que trouxemos até agora). 


Esclarecimentos feitos vamos à edição: ela traz duas histórias de Johnny Craig, uma de Al Feldstein, e a estréia do desenhista GRAHAM INGELS na revista, num estilo de arte que na minha opinião envelheceu muito bem - e que vejo como inspiração de muitos artistas que trabalharam na VERTIGO, principalmente dos ingleses, mas também inspiração para um certo BERNY WRIGHTSON, acho que já ouviram falar do cara. 


INGELS foi uma das maiores vítimas da perseguição contra os quadrinhos de terror. Conforme conta o editor Bill Gaines, "o estilo de Ingels era adequado somente para histórias de terror. Quando elas foram proibidas, ele não conseguia mais trabalho no mercado de quadrinhos". Ele acabou se tornando professor de artes numa cidade pequena dos EUA, dedicando seu tempo livre a aquarelas autorais. Nunca mais quis ser associado aos quadrinhos, e rejeitava até a visita de fãs. Um talento desperdiçado pelo fanatismo de pessoas manipuladas por políticos, educadores e religiosos oportunistas. Mas graças a internet, o que tentaram proibir, agora você pode conhecer. Bom divertimento.